O  Árbitro

Grande Homem, pobre Homem

Se há homem que sinta ter vindo ao mundo só para sofrer, é o árbitro de futebol. Nos campos de futebol, onde é, afinal, o juiz e figura suprema, não tem claque, nem tem amigos, qualquer um, só porque comprou bilhete ou arranjou maneira de entrar no estádio, julga-se no direito de soltar a língua e dirigir quantas bacoradas lhe apetece.

E todas ( salvo raríssimas excepções ) dirigidas ao árbitro. São palavras soltas ( e mal soantes.. ) que, ainda que pareça incrível, atravessam o campo e chegam inteirinhas, picantes como alfinetes ou agressivas como navalhas, aos ouvidos do árbitro – o homem de quem todos esperam justiça, serenidade, isenção e que, afinal, todos ( ou quase… ) tratam como se fosse o mais delinquente dos bandidos que andam sobre a terra.

Ninguém perde porque jogou mal ou porque o adversário jogou melhor. Para esses, só há um culpado – o árbitro, o indesejável, o pirata, o gatuno, o vendido, o … . E, no entanto, ninguém repara que o árbitro é um homem a quem exigem a perfeição de uma máquina ( das que não se avariam ), um individuo que sabe, com certeza, interpretar melhor as Leis do Jogo do que 99 por cento dos que assobiam, um adepto que, pelo menos, gosta tanto do jogo como todos os que compram o seu bilhete, uma pessoa que, como qualquer que se preza, gosta mais de acertar do que de asnear; um juiz ( de campo… ) a quem quase não se dá um segundo para julgar e proferir a sentença.

Não – nisto ninguém repara

Publicação de: Trabucho Alexandre no Jornal O Árbitro nº 68 de Fevereiro de 1963.

A arbitragem tem um grande papel a desempenhar no desenvolvimento do desporto e na formação desportiva dos jovens. Para que essa tarefa possa ser bem sucedida, é indispensável que o árbitro actue com profunda convicção e seja capaz de seguir as seguintes normas:

 

Boa Condição Física

 

v    Para manter a postura corporal de observação e acompanhamento das situações competitivas.

v    Para acompanhar de perto a dinâmica das movimentações dos jogadores e julgar à vista as situações por estes criadas.

Boa condição psicofisiológica

 

v    Para ter uma boa velocidade de reacção

v    Para ter uma boa percepção selectiva

v    Para ter uma boa memória visual

 

Boa condição emocional

v    Para ter um auto-controle sobre as suas reacções emotivas

v    Para sentir confiança na sua imagem enquanto árbitro.

Boa condição técnica

v    Para fazer apelo permanente e actualizado às referências técnicas que possui sobre a modalidade.

v    Para ter um bom domínio dos códigos gestuais usados na modalidade.

Manter os olhos sobre o jogo

 

v    Se o fizer estará em condições de analisar instantaneamente os antecedentes da acção empreendida pelos jogadores e de decidir, em caso de infracção, quem foi o responsável pela ilegalidade cometida. Desviar os olhos do jogo não evita sarilhos, antes pelo contrário.

Decidir de acordo com o seu critério de avaliação

v    A sua avaliação é que conta numa arbitragem correcta e imparcial. Ceder à pressão dos jogadores, treinadores ou do público, é alterar o seu critério de avaliação nas acções puníveis pelas regras. Faze-lo é deixar de ser imparcial.

Decidir sem explicar

v    Explicar uma decisão equivale a justificar o que foi decidido e criar condições para que todas as decisões posteriores possam ser postas em causa.

Evitar qualquer discussão com jogadores, treinadores e dirigentes

v    Admitir que uma decisão possa ser discutida é admitir que possa ser revogada ao sabor dos argumentos aduzidos pelos intervenientes no jogo.

Ignorar a presença dos espectadores

v    Dar atenção aos espectadores conduz a desvios da concentração que irão reflectir-se negativamente na consistência das decisões seguintes e provocar situações desequilibradas.

Ignorar todas as provocações

v    As provocações dirigidas aos árbitros visam criar situações de insegurança quanto à avaliação que vem fazendo sobre as situações de jogo.

Assumir as suas próprias decisões

v    Se corrigir as decisões de um colega de equipa, estará a mostrar aos intervenientes no jogo e aos espectadores que ele errou e que foi você que emendou o erro. Apoiar as decisões dos companheiros é um dever ético que reforça o prestígio da arbitragem. Decidir de outro modo só deverá ser considerado em situações bem explicitas nas Leis.

Actuar sempre com equipamento adequado

v    A presença física do árbitro está sempre relacionada com o modo de vestir e de usar o equipamento que os regulamentos impõem para o uso nos jogos oficiais.

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